A Croácia adota o euro: o que muda para os viajantes em 2023
Publicado
Uma mudança de moeda que vinha de longe
A Croácia adotou oficialmente o euro a 1 de janeiro de 2023, substituindo a kuna a uma taxa de câmbio fixa de 7,53450 kunas por euro. A transição estava em preparação há vários anos — a Croácia aderiu à UE em 2013, entrou no Mecanismo de Taxas de Câmbio Europeu II (a antecâmara formal para a entrada na zona euro) em 2020, e passou 2022 a completar os critérios de convergência. A data foi confirmada no verão de 2022 e a transição em si decorreu sem sobressaltos pelos padrões das mudanças de moeda.
Para os residentes croatas, a mudança foi alvo de algum debate: a kuna, introduzida em 1994 no final da guerra de 1991–1995, adquirira um significado emocional que transcendia a sua função monetária. Para os visitantes de Dubrovnik e da costa dálmata, as implicações práticas foram quase inteiramente positivas.
O que mudou efetivamente a 1 de janeiro
Os preços na Croácia passam a ser cotados em euros. As caixas automáticas dispensam euros. Restaurantes, hotéis, operadores turísticos e lojas transacionam todos em euros. A aritmética mental que caracterizava a experiência da maioria dos visitantes anteriores — dividir kunas por cerca de 7,5 para obter um equivalente aproximado em euros — deixou de ser necessária.
O período de utilização paralela, durante o qual tanto o dinheiro em kunas como em euros eram aceites e as kunas podiam ser trocadas em qualquer agência bancária à taxa oficial, decorreu durante as primeiras duas semanas de janeiro de 2023. Desde então, a kuna deixou de ter curso legal, embora ainda possa ser trocada nas agências do Banco Nacional Croata e em alguns bancos comerciais sem limite de tempo.
Para os visitantes que chegam a partir de agora: o euro é a única moeda em uso. Sem troca de dinheiro para kunas, sem aplicações de calculadora, sem divisões mentais. O vosso cartão de banco da UE funciona como funciona em França ou na Alemanha. O vosso cartão de banco fora da UE funciona como funciona noutros locais da zona euro.
Preços: houve arredondamentos para cima?
Esta era a grande questão na Croácia no período que antecedeu a mudança, e as autoridades croatas de defesa do consumidor trabalharam significativamente nesse aspeto. A posição oficial era que os preços deveriam ser convertidos à taxa exata de 7,53450; os arredondamentos eram permitidos apenas ao cêntimo mais próximo. As empresas eram obrigadas a mostrar preços tanto em kunas como em euros nos menus e etiquetas ao longo de 2022.
Anedoticamente — e com base no nosso próprio acompanhamento de preços em estabelecimentos específicos de Dubrovnik ao longo de várias visitas — a mudança não produziu um aumento geral abrupto de preços. Alguns preços individuais arredondaram modestamente para cima; outros mantiveram-se estáveis ou até desceram ligeiramente em euros. O contexto mais amplo da inflação europeia em 2022–2023 significa que os preços em toda a região aumentaram, mas a adoção do euro não foi o principal impulsionador.
Por contexto comparativo: um café num café de gama média na Cidade Velha que custava 15–18 kunas no verão de 2022 (aproximadamente 2,00–2,40 €) estava a ser cotado a 2,50–3,00 € no início de 2023. Esse aumento está em linha com a inflação geral europeia do café e não com oportunismo na conversão.
ATMs e cartões
A infraestrutura de ATMs da Croácia está bem desenvolvida nas zonas turísticas. A maioria das máquinas dispensam agora notas de 10 €, 20 € e 50 €. O conselho prático para utilizadores de cartão simplificou-se: usem o vosso cartão normal com capacidade para a zona euro ou um cartão de viagem que evita taxas de transação estrangeiras. Já não há vantagem em levar kunas obtidas especificamente no balcão de câmbio do aeroporto à chegada.
Mantém-se o cuidado habitual relativamente aos ATMs operados por operadores privados (não bancários): as máquinas em zonas turísticas oferecem frequentemente «conversão dinâmica de moeda» — a opção de pagar na vossa moeda doméstica em vez de euros. Recusem sempre esta opção; as taxas de câmbio aplicadas são desfavoráveis.
Gorjetas
A prática de gorjetas em Dubrovnik não mudou materialmente com a moeda. As taxas de serviço geralmente não estão incluídas nas contas de restaurante croatas (ao contrário de alguns outros países), e é costume deixar gorjeta de cerca de 10–15% numa refeição de restaurante se estiverem satisfeitos com o serviço. Café e bebidas casuais: arredondar ao euro mais próximo é comum. Viagens de táxi: arredondar é adequado.
O efeito prático da adoção do euro é que a matemática ficou mais simples. Dez por cento de uma conta de jantar de 25 € são 2,50 €. Antes era 10% de uma conta de 188,36 kunas, que a maioria das pessoas não calculava com precisão.
Vizinhos: Montenegro e Bósnia
Uma nota que vale a pena fazer para os visitantes que combinam Dubrovnik com viagens regionais: o Montenegro usa o euro desde 2002 (unilateralmente, sem estar formalmente na zona euro). A Bósnia-Herzegovina usa o marco convertível (BAM), que está indexado ao euro exatamente a 1,95583 BAM por euro. Ambas as moedas vizinhas interagem de forma limpa com o euro na prática — os ATMs na Bósnia dispensam BAM mas aceitam cartões denominados em euros; os preços montenegrinos estão em euros.
Para a excursão de um dia a Mostar ou ao Montenegro, a situação cambial é simples: os euros funcionam em todo o lado para transações básicas, embora ter alguma moeda local na Bósnia seja útil para compras menores e mercados.
O quadro mais amplo
A entrada da Croácia na zona euro tem importância para além das implicações práticas para o viajante. Sinaliza a continuação da integração europeia do país, facilita o comércio e o investimento transfronteiriços, e elimina o risco cambial que complicava algumas decisões de investimento. Para a indústria turística de Dubrovnik, simplifica os preços para a maioria-europeia da base de visitantes que sempre foi o mercado dominante.
Para o visitante que chega agora: podem planear uma viagem a Dubrovnik com os mesmos pressupostos cambiais que trariam para qualquer destino da zona euro. A aritmética de conversão desapareceu. A cidade é de resto a mesma: as muralhas têm ainda a mesma altura, o Stradun tem ainda o mesmo comprimento, e o café é melhor bebido às 6h00 quando a rua está vazia e a luz faz o seu melhor.